Tempos de mudança

Re: Tempos de mudança

Mensagempor XôZé » Domingo 8 Novembro 2009, 17:48

Preocupa-me. :(
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Re: Tempos de mudança

Mensagempor Max » Domingo 8 Novembro 2009, 18:31

É irreversível.

Com ajuda e preocupação pode durar mais um pouco. Mas o fim, esse, é certo.
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Re: Tempos de mudança

Mensagempor Arp » Domingo 8 Novembro 2009, 18:42

Conta-nos lá, para nos precavermos, porque pelos vistos não vale a pena ficarmos preocupados com o que não tem solução.
Outra hipótese é suicidarmos-nos já em massa, o que, naquela óptica, teria a vantagem de acabarmos com as preocupações e darmos uma folga ao planeta.
Conta-nos, acaba-nos com este velório de vez.
8-)
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Re: Tempos de mudança

Mensagempor Arp » Quinta-Feira 12 Novembro 2009, 02:01

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O psicólogo
2009-10-24

Há muito tempo que não via a Lurdes, minha antiga colega de faculdade. Daí a gargalhada de ambas quando esbarrámos no café, e lá abancámos diante de uma bica, a pôr a vida em dia. Saltaram as fotografias da carteira, e o relato fatal das gracinhas infantis.

É então que ela me diz, apontando para a cara risonha do seu neto de três anos, "este até já anda no psicólogo". Eu fiquei sem saber o que dizer, tanto mais que a Lurdes falara com um indisfarçável orgulho na voz, assim como se dissesse, "este já anda no judo e é cinturão negro".

Que eu soubesse não tinha havido revolução de maior na vida da criança, nem pais separados, nem um novo irmão, nem nenhum morto, mas a Lurdes, com um sorriso condescendente, lá explicou que o recurso ao psicólogo se devia ao facto de a criança ir entrar agora pela primeira vez para a escola infantil: "Eventualmente poderá haver um problema de rejeição da escola, e é preciso tratar." Ainda perguntei por que não eram os pais a ocupar-se disso - mas logo a Lurdes disse que nem pensar, porque os pais não tinham "preparação técnica".

E pronto. Lá vai a criança, de três anos de idade, todas as semanas ao psicólogo, que a ajuda a resolver um problema que muito possivelmente ela nem nunca terá. Ou seja: que lhe dirá (espero…) aquilo que nós todos dizemos às nossas crianças em alturas semelhantes: vais gostar muito de brincar com os outros meninos, vais aprender muitos jogos, e muitas cantigas, etc.,etc…

Mas hoje os pais já quase não sabem falar ou brincar com as crianças. Pensam que brincar é uma coisa que só se faz diante de um ecrã. Brincar com uma criança é, cada vez mais, pô-las a ver televisão, ou atirar-lhes com um computador para que fiquem horas a fazer jogos.

E não há nada mais triste do que uma pessoa que não sabe conversar nem brincar com uma criança.

Uma pessoa que olha para uma criança como se ela fosse um país estrangeiro. Um país inimigo.

Por isso, despeço-me da Lurdes e chego a casa estupidamente cheia de saudades da minha mesa da casa de jantar, que range mal se lhe toca, que tem a tábua do meio partida e as pernas desengonçadas - mas que os meus filhos me proíbem de substituir, porque foi nela que o pai os ensinou a jogar ping-pong; e nem me importo com os buracos ainda visíveis na parede ao fundo do corredor, do tempo em que lá estava pregado um cesto de basquete onde todos exercitavam a pontaria; e lembro a choradeira que foi no dia em que decidimos lavar a parede do quarto do meu filho (o rapaz já tinha entrado na faculdade!) onde ele e o pai escreviam todas as coisas que queriam dizer um ao outro e às vezes não tinham coragem.

E nunca sequer nos passou pela cabeça saber se tínhamos ou não preparação técnica.
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Re: Tempos de mudança

Mensagempor zézen » Quarta-Feira 1 Setembro 2010, 05:42

ImagemBotas cardadas ameaçam Lobo Antunes

O grupo militar que ameaçou “ir ao focinho de António Lobo Antunes” e o apelidou de «bandalho» e de «atrasado mental» não merece resposta. É produto da guerra injusta a que a ditadura fascista condenou uma geração, é a voz de quem se envergonha de ter estado do lado errado e teme a divulgação dos crimes de guerra.

Graves são as ameaças ao escritor do coronel piloto-aviador, de nome Morais da Silva, que durante o PREC, dissimulado, nunca se soube de que lado se achava e que, agora, pretende processar o escritor por dizer o que pensa.

Mais prudente, o general Chito Rodrigues presidente da Liga dos Antigos Combatentes, uma agremiação que publica uma revista reaccionária e obtém descontos para os sócios, na compra de pneus, desafia o escritor a retratar-se [sic], única palavra usada segundo o novo acordo ortográfico, na carta aberta que lhe dirigiu.

Admito que Lobo Antunes não tenha sido rigoroso no número de mortos que atribuiu ao seu batalhão e tenha errado nas motivações que levavam os tenentes-coronéis a querer «acumular pontos», sem esquecer que uma das companhias era comandada pelo grande intelectual, humanista e democrata Melo Antunes, herói de Abril, que ele tanto admirou.

Mas, como disse há poucos anos o escritor, ainda é cedo para falar da guerra colonial, como se vê pelos guardiães de serviço, como o general Chito Rodrigues que, sendo oficial do Estado-Maior, nunca se terá ferido no capim.

Trinta e seis anos depois do fim da guerra, já é tempo de saber se todos as companhias e batalhões abdicaram da tortura dos prisioneiros; o que sucedia aos presos que a tropa entregava à PIDE; o que faziam os sipaios às populações que os militares prendiam e entregavam à autoridade administrativa; o que lançavam os aviões militares sobre as palhotas e quem matavam; se os portugueses invadiam os países limítrofes e com que fim. Um país só se reconcilia com a história se a verdade e a justiça triunfarem, não com ameaças de quem ainda crê que defendeu a pátria e a civilização cristã e ocidental, como afirmava a propaganda fascista e clerical.

É tempo de denunciar a escalada reaccionária e a intimidação contra quem pretenda exumar treze anos de guerra. Quando um primeiro-ministro concedeu a dois pides a pensão que negou a Salgueiro Maia, tornaram-se mais ousados os nostálgicos do salazarismo. A Alpoim Calvão, já sem peito onde coubesse, deram a única venera que lhe faltava, a Jaime Neves mandaram-lhe estrelas de general à reforma e o 10 de Junho, de má memória, integra nostálgicos em manifestações intimidatórias depois de o último PR ir convertendo a data, de novo, no Dia da Raça.

Paulatinamente, o Portugal salazarista vai entrando pelas costuras da nossa incúria. Por isso, neste caso, a solidariedade com Lobo Antunes é uma questão ética e um dever democrático.

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