PARLAMENTAR... e botar faladura

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Mensagempor zézen » Sexta-Feira 12 Outubro 2007, 17:56

"A penalização por não participares na política,
é acabares a ser governado pelos teus inferiores".

Platão
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Sábado 13 Outubro 2007, 19:20

O jornal «Correio do Minho» publica hoje este interessante e oportuno texto:


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FALTA CONCRETIZAR A REPÚBLICA

Comemora-se a 5 de Outubro próximo mais um aniversário da implantação da República Portuguesa, mais concretamente o nonagésimo sétimo. No entanto, apesar de se tratar de uma data já enraizada na nossa sociedade, muitas pessoas continuam a passar ao lado do real significado deste dia, teimando em circunscrever esta alteração profunda da nossa sociedade a uma mera mudança de agentes políticos.

Mas na verdade foi mais do que isso. Foi, indubitavelmente, muito mais. A República traz consigo um conjunto de valores seculares da maior importância, que foram decisivos para a alteração a nível mundial dos padrões sociais, que permitiram a passagem de uma sociedade tradicional, refém de cultos e classes, para uma sociedade moderna e progressista, onde o homem comum desempenha o papel principal.

Esta mudança afectou inclusive as próprias monarquias hoje existentes, nomeadamente as ocidentais, que se foram, de alguma forma, republicanizando, absorvendo o ideário republicano nas suas constituições, transferindo o poder dos monarcas para os parlamentos democraticamente eleitos, limitando-lhes o papel a algo quase simbólico nos dias de hoje.

É claro que em muitos casos, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento, o uso vão da palavra República serviu também para fazer exactamente o contrário, isto é, colocar ditadores à frente dos destinos de alguns países via “vontade popular”, governando como autênticos monarcas, de forma autocrática, subvertendo os elementares princípios republicanos.

É assim evidente que confrontar nos dias de hoje república e monarquia no plano das diferenças entre os Estados é inconsequente. As verdadeiras diferenças estão nos princípios de governação e na sua interiorização pelos cidadãos, independentemente do modelo assumido. De facto em Portugal temos um excelente exemplo disso mesmo, com a ditadura de Salazar, na qual o país oficialmente se assumia como República, mas na prática abandonava quase na íntegra os valores que presidiram à sua implantação, como por exemplo a laicidade e a legitimidade democrática do Estado.

E se Abril de 74 veio recuperar muitos desses princípios adormecidos pela longa ditadura, a verdade é que de algum modo ainda falta concretizar a República na sua totalidade, nomeadamente no que toca à subordinação do interesse individual ao colectivo.

Compreendo que tal desígnio pareça complicado, sobretudo atendendo à cada vez maior competitividade existente num mundo globalizado, onde as pessoas instintivamente pensam cada vez mais em si em detrimento da colectividade.

No entanto, se fizermos uma análise atenta, facilmente constatamos que as sociedades que apresentam os melhores índices de desenvolvimento humano são precisamente as que demonstram maiores níveis de participação colectiva, onde o cidadão anónimo é parte integrante da tomada de decisão, onde o interesse colectivo é, de forma livre, colocado invariavelmente à frente do interesse individual.

E isto demonstra-nos inequivocamente a actualidade do pensamento republicano e a nossa necessidade, enquanto país, de concretizarmos a implantação que se iniciou há 97 anos, celebrando a Liberdade, como direito fundamental do homem, a Igualdade como Lei, perante a qual todos somos iguais, a Laicidade do Estado como garante único da liberdade de culto, respeitadora das crenças de cada um e inimiga da intolerância, a Democracia como instrumento de participação plena dos cidadãos na vida comunitária, o Interesse Colectivo como única forma de garantirmos a prosperidade das gerações actuais e futuras.

Os ideais republicanos ensinam-nos a pensar além de nós próprios, a ter uma atitude mais interveniente, mais altruísta, em prol da sociedade de hoje e de amanhã. Vamos aplicar esses ensinamentos. A República portuguesa está aí, à espera de ser concretizada, por cada um de nós, para todos nós.

Artur Boaventura da Silva
http://www.laicidade.org/
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Quinta-Feira 15 Novembro 2007, 18:38

UMA CARTA DE ANTÓNIO CUNHA VAZ

A carta, que recebi, no endereço do Abrupto, de António Cunha Vaz (para quem não saiba responsável pela agência de comunicação ligada à campanha de Luis Filipe Menezes) poderia ser perfeitamente devolvida ao remetente, em particular num blogue que tenta seguir critérios de direito de resposta ainda mais rigorosos do que os habituais nos órgãos de comunicação social e que evita uma linguagem e um tom de má educação e baixo nível. Não se percebe a que responde ou a quem Cunha Vaz responde (ou melhor percebe-se bem demais), e tem um tom pessoalmente insultuoso e ad hominem que por si só a levaria a seguir para o lixo.

Mas, mesmo assim, vou publicá-la integralmente porque me parece muito significativa e, pelo seu estilo, se percebe a autoria de uma das campanhas eleitorais mais degradadas, agressivas, insultuosas, que jamais se viu em Portugal: a campanha eleitoral interna no PSD. Se há coisa em que houve unanimidade na comunicação social foi em caracterizar essa campanha e ninguém duvida que o principal responsável pelo tom utilizado foi Menezes, cliente da Cunha Vaz & Associados .

Se tivesse mantido um dever de reserva e não falasse demais, atribuindo-se na primeira pessoa atitudes do seu cliente (e tudo a que me referi vem na imprensa sem qualquer desmentido até agora), talvez Cunha Vaz não se tivesse exposto às notícias sobre a sua agência que, não é difícil presumir, lhe criam dificuldades quer com o cliente, quer com a opinião pública, quer com o mercado. Mesmo a minha "imensa ignorância" não me impede de perceber a razão porque escreveu esta carta.

De uma coisa pode estar certo António Cunha Vaz, não terei "tento na língua, na pena e no teclado". Em mim não colhem quaisquer ameaças de donos de agências de comunicação por muitas malfeitorias que eles possam fazer. Continuo a achar que não se deve substituir a política por técnicas de comunicação, nem as Comissões Políticas por agências de comunicação. Mas esta crítica é aos políticos e não às agências. Ele pode não perceber as diferenças, mas percebe que lhe afecta o mercado.

Percebo bem as suas dores, porque tendo exprimido várias vezes a sua admiração política pelo cliente que ajudou a ganhar, presumo que o deve ter apoiado graciosamente. Espero para ver as contas da campanha, visto que Luiz Filipe Menezes ainda não cumpriu a promessa que fez numa conferência de imprensa de divulgar as suas contas, nem cumpriu até hoje aquilo a que se comprometeu numa carta ao PGR em que se

"comprometia «a adequar-se ao escrupuloso cumprimento da lei, no que tange à recolha e conservação dos fundos recebidos e sua afectação ao fim da campanha eleitoral em curso no PSD». Desta forma, (...) a sua candidatura irá nomear uma comissão especial, constituída por três membros, e que será responsável pela recolha dos fundos e sua afectação ao fim anunciado. Além disso, será especificamente constituída para o efeito uma conta bancária, «onde são depositadas as respectivas receitas e movimentadas todas as despesas relativas à campanha». Será ainda designada «uma entidade especialmente responsável pela elaboração das contas de campanha, de acordo com os princípios do Plano Oficial de Contas, que deverá ser um revisor oficial de contas ou uma sociedade de revisores oficiais de contas». (Diário Digital)
Espero pois para ver. Antes disso, antes de saber quanto custou tanta dedicação, não voltarei ao assunto.

*
Aqui vai a carta de António Cunha Vaz na íntegra:

Senhor Dr. José Pacheco Pereira,

Percebo o incómodo de V. Exa. perante a vergonha que deve sentir de si próprio. percebo, também, que o incómodo que lhe deve causar o facto de já ter participado em campanhas políticas – pagas por alguém – o leve, nos dias de hoje, a lamentar tê-lo feito da forma que o fez. Percebo, ainda, que o facto de se sentir confortável com o vasto palco que a comunicação social lhe dá – e em que os por si visados não têm direito ao contraditório – lhe permita tecer sobre o comportamento de terceiros considerações que se lhe aplicariam directamente. É próprio dos portugueses. Por isso é que isto é o que é.

Julgo saber que é honesto. Dizem-me amigos comuns. Também julgo saber que não suporta enganar-se. Problema seu. Mas a ignorância é sempre má conselheira. Aquela de que usa e abusa na televisão e nas suas crónicas perante tantos telespectadores, ouvintes e leitores que, desconhecendo o mesmo que o senhor desconhece, se deixam embevecer pela verborreia pseudo-intelectual que ostenta só ofende quem se deixa ofender. Mas o que é demais, no caso em apreço, é nocivo.

Em nome da honestidade que alguns amigos dizem que tem – não a qualifico porque, ao contrário de si não falo do que não sei – peço que tenha tento na língua e na pena – ou no teclado. O Dr. Luís Filipe Menezes não tem agência. O Dr. Luís Filipe Menezes teve a colaboração da minha agência durante a campanha eleitoral interna para a liderança do PSD. Neste momento, ou melhor, desde que o congresso do seu partido terminou a Cunha Vaz & Associados não trabalha com o PSD, com o seu líder ou com qualquer outra estrutura político partidária.

Nunca o fez. Nunca trabalhou com qualquer Governo ou instituto público, nunca serviu qualquer partido, antes tendo trabalhado pontualmente com Carmona Rodrigues (PSD2005 autárquicas e como independente em 2007) – e não foi esta agência que espalhou calúnias sobre nada nem ninguém durante as duas campanhas – Mário Soares – em que não deixámos a campanha a meio por respeito pelo candidato, embora estivéssemos em total discordância com a direcção de campanha – e, mais recentemente, esta campanha interna.

Gostaria, com certeza, V. Exa. que outros liderassem o PSD porque, como é próprio de quem nada faz a não ser criticar o que outros fazem, teria mais matéria para comentar numa outra próxima derrota estrondosa do Partido – que é o seu. A Cunha Vaz & Associados entendeu dar o seu contributo a um desafio. Que se afigurava difícil – nas suas e nas palavras de outros era mesmo impossível – mas que, por essa mesma razão, nos apeteceu abraçar.

Cada um, nesta vida, é para o que nasce. Eu nasci para trabalhar. Honestamente, pagando impostos – todos, criando postos de trabalho reais – sustentados – dando formação a quadros jovens, em Portugal e no estrangeiro, e não posso aceitar que, sem o mínimo cuidado de preencher a imensa ignorância que lhe vai no cérebro sobre a matéria em que tantas vezes é sábio, teça considerações sobre a minha empresa ou a minha pessoa.

Porque o meu tempo é precioso e em abono do espaço que ocupa nos ecrãs, rádios e jornais deste país, peço apenas que fale do que sabe. Sei que pouco terá a dizer, mas esse já não é problema meu.

Por último posso dizer que já vi obra do Sr. Dr. Luís Filipe Menezes. Quanto à sua, só escrita e, por vezes, mal.

Como não sou hipócrita não me vou despedir com estima e consideração, nem mesmo com respeito pessoal. Todos eles se conquistam. Não se aproveite da ignorância que tanto critica para "armar ao pingarelho".
António Cunha Vaz
http://www.abrupto.blogspot.com/2007_11_01_abrupto_archive.html#6973166171002840555
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Sábado 17 Novembro 2007, 11:36

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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Sexta-Feira 23 Novembro 2007, 04:09

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Coitadinho :o O menino foi enganado :?
Sendo assim o menino não tem nada a ver com os "700.000" mortos no Iraque :twisted:
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Sexta-Feira 23 Novembro 2007, 04:44

Corrupção moral

Durão Barroso apareceu no telejornal. Interrogado sobre o papel que desempenhou como anfitrião na cimeira dos Açores em que apoiou Bush, Blair e Aznar na decisão de invadirem o Iraque disse que foi enganado. «As informações [que lhe deram] sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque não correspondiam à verdade». Mas acrescentou de imediato, talvez com a mesma convicção com que "acreditou" nas informações (que até eu, aqui no Puxa Palavra, sabia serem falsas como Judas) que «do ponto de vista português não há nada a lamentar».

«do ponto de vista português não há nada a lamentar!!»

Então a destruição de um país, a tragédia de milhões de iraquianos, a catástrofe dos milhões de refugiados nos países vizinhos, o sacrifício de milhares de mortos dos EUA e de outros países invasores, nada disso tem qualquer importância? E o Governo de Portugal que apoiou, com pretextos falsos, conscientemente assumidos, a invasão do Iraque não tem nada a lamentar?

Oiço e não acredito. Ou melhor indigno-me. Claro que não sou ingénuo. Ando na política já lá vão uns anos. Mas acho que tenho o dever cívico de me indignar e não aceitar, com cinismo, que não há nada a fazer com os políticos, ou seja, com o género humano. Há algo a fazer: quem tenha uma réstia de honradez não pode abrir mão de todos e cada um dos valores morais em que assenta a civilização, a democracia, a liberdade, a justiça, a vida.

Durão Barroso contente nas suas declarações até explicou porque «do ponto de vista português não há nada a lamentar». «A prova - disse - é que eu próprio fui quase logo a seguir escolhido para Presidente da Comissão Europeia.»

É quase "naif" esta confusão entre o interesse de Portugal e o seu interesse pessoal (associado ao de uma certa direita europeia). O que disse, como disse e a explicação que deu é tudo bem elucidativo do grau de degenerescência moral de alguns políticos (muitos infelizmente) ao ponto de total insensibilidade para apreciar a imagem que deu de si próprio.
http://www.puxapalavra.blogspot.com/
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Domingo 2 Dezembro 2007, 17:40

Manuel Buíça e Alfredo Costa – mártires injustiçados

Sendo visceralmente contra a pena de morte e adversário da violência, não aceito que os valores actuais, em democracia, alimentem o coro ressentido contra os regicidas de 1908 – cidadãos que mudaram o curso da história, em Portugal.

Grande parte da opinião pública desconhece o contexto do regicídio. Ignora a suspensão real da Carta Constitucional, que permitiu ao ditador João Franco encerrar o Parlamento, reprimir manifestações, fechar jornais, encarcerar grande parte da oposição republicana, e até monárquica, que se propunha degredar para Timor.

É neste contexto que os regicidas ousaram tirar a vida ao rei, sabendo que sacrificavam a sua. Não cometeram o crime nefando que os monárquicos e os sectores mais reaccionários da sociedade se incumbiram de acentuar; executaram uma sentença, imolando-se.

Alfredo Costa e Manuel Buíça foram cruelmente assassinados pela feroz polícia do ditador João Franco depois de praticarem um acto com a consciência da sorte que os esperava. Sabiam que não teriam, nem esperavam tirar, benefícios pessoais do regicídio. Queriam apenas libertar a Pátria de um ditador, eliminando um rei inapto que, ao assinar a suspensão da Carta Constitucional, perdeu a legitimidade, tornou-se cúmplice da repressão e assinou a sua sentença de morte.


Nuno Álvares Pereira, ao arrepio dos princípios da época, tomou o partido do Mestre de Avis. Depois de ter obtido largas promessas de terras, fartou-se de matar castelhanos e aguarda a santidade. É ele acusado de assassínio ou a lendária padeira de Aljubarrota? Os conjurados de 1640 mataram Miguel de Vasconcelos e ninguém lhes chama assassinos. O marquês de Pombal exterminou os Távoras e não carrega tal labéu. Nem D. Miguel, sinistro, mesmo para a época, depois de ter chacinado liberais e posto o país a ferro e fogo para usurpar o poder, é denominado assassino.

Os que odeiam Buíça e Alfredo Costa regozijam-se com D. Afonso Henriques a bater na mãe, rejubilam com o Mestre de Avis a ferir de morte o Conde Andeiro e exultam com os conjurados de 1640 a defenestrarem Miguel de Vasconcelos, depois de o crivarem de balas.

Buíça e Alfredo Costa acataram provavelmente uma decisão da Carbonária, para porem fim à ditadura de João Franco, evitarem as deportações em massa e libertarem os numerosos presos políticos. Não agiram por sectarismo ou vingança, foram agentes de uma execução com que julgaram evitar males bem maiores. Não merecem, pois, o anátema que o Estado Novo lançou sobre eles e que ainda persiste.

Não eram marginais sedentos de sangue, eram idealistas republicanos. Não eram assassinos, foram mártires da liberdade no culto dos valores de que foram arautos.

Os regicidas cumpriram o dever que a noção de patriotismo lhes impunha, nos tempos que eram, nas circunstâncias que foram, com a ditadura a legitimar a violência do acto. Foi com o Parlamento encerrado, por entre perseguições e arbitrariedades, com a liberdade cerceada e na iminência de deportações em massa, que os mártires, em nome da liberdade, imolaram as próprias vidas, sacrificando o rei e o príncipe herdeiro.

Se outro testemunho não houvesse, para julgar a nobreza de carácter e a firmeza das convicções de quem tinha a História à espera de um acto difícil e heróico, bastaria um excerto da carta escrita por Manuel Buíça, em 28 de Janeiro, dois dias antes do regicídio, com a assinatura reconhecida pelo tabelião Motta, na rua do Crucifixo, em Lisboa:

«(…) Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos».

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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor Arp » Quarta-Feira 5 Dezembro 2007, 05:02

«A propaganda dos vencedores converte-se na história dos vencidos.» (Trevanian)
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor Reboredo » Sexta-Feira 7 Dezembro 2007, 23:38

Triste manifestação de "respeitinho" ao arrogante e humilhante comentário do embaixador norte-americano, esta do PS.
Simplesmente disgusting.
[Publicado por Vital Moreira
]


Nacional
BE, PCP e PEV contra "ingerência" de embaixador dos EUA, PS retira voto de protesto


Lisboa, 30 Nov (Lusa) - BE, PCP e PEV protestaram hoje, através de um voto de repúdio, contra declarações do embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Portugal, Alfred Hoffman, que entendem terem sido "de ingerência" na vida política portuguesa.

O PS tinha entregue na quinta-feira um voto de protesto pelo mesmo motivo, mas decidiu retirá-lo e votou hoje ao lado do PSD e do CDS-PP contra o voto de repúdio apresentado pelo BE, que assim acabou chumbado.

O voto de protesto do PS tinha como primeiro subscritor o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, era assinado por outros deputados como Helena Terra, Maria Antónia Almeida Santos ou Marisa Costa e qualificava de "manifestamente apropriadas e infelizes" as declarações do embaixador dos EUA.

Dada a ausência desse documento no boletim de votações, o líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, perguntou o que lhe acontecera. "Foi retirado pelo PS", respondeu o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

O BE disse desconfiar que "alguém mandou calar a bancada do PS". Segundo a deputada Ana Drago, "a dúvida é se foi o Governo português ou o embaixador dos EUA".

O deputado do PS Renato Leal manteve a opinião de que as declarações do embaixador foram "manifestamente inapropriadas e infelizes", mas argumentou que acima delas está a amizade entre Portugal e os EUA, que "não deve ser beliscada".

Em causa estão declarações à comunicação social de Alfred Hoffman defendendo que "Portugal tem de reduzir a burocracia e actualizar as leis laborais" ou sobre a redução da presença militar portuguesa no Afeganistão.

"Os líderes europeus parecem mais intimidados com as sondagens do que determinados em convencer as suas opiniões púbicas da importância da luta no Afeganistão", comentou o embaixador norte-americano.

PS, PSD e CDS-PP justificaram o chumbo do voto de repúdio do BE numa declaração de voto conjunta, em que consideram que as declarações de Hoffman "sobre a política do Estado português em fim de carreira e no momento da saída do posto diplomático não podem, em circunstância alguma, pôr em causa as relações de amizade entre Portugal e os EUA".

No voto do BE lê-se que as "frequentes declarações" do embaixador norte-americano, em que "opina sobre as escolhas políticas do Estado português", representam "uma pouco comum desconsideração pelas regras da diplomacia internacional".

O deputado do PCP Jorge Machado concordou que são "uma ingerência ilegítima e inaceitável" que "merecia a condenação do PS e do Governo". Os EUA "julgam ser donos do mundo" e "nada têm a ver com a nossa política interna", acrescentou.

"No mínimo têm de ser consideradas graves e provocadoras. O Governo deveria ter-lhes dado resposta", sustentou a deputada do PEV Heloísa Apolónia.

Em nome do PSD, o deputado Henrique de Freitas contrapôs que as declarações de Alfred Hoffman "devem ser vistas com alguma simpatia condescendente, com alguma ironia diplomática".

"Não devem ser valorizadas", advogou, acusando o BE de "anti-americanismo primário" e salientando o que disse ser um "excelente relacionamento entre o presidente Bush e o primeiro-ministro Sócrates".

Os deputados do PS Ana Catarina Mendes, Vasco Franco, Vítor Ramalho e Teresa Alegre Portugal e o deputado do CDS-PP Nuno Melo anunciaram a entrega de outras declarações de voto.
(in notícias rtp.pt)
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Re: PARLAMENTAR... e botar faladura

Mensagempor zézen » Quinta-Feira 3 Janeiro 2008, 19:19

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