Comemorações do Centenário da República

Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor XôZé » Quinta-Feira 7 Janeiro 2010, 22:41

Tovi Escreveu: ... mas recatada e implícita na blusa de cordões afrouxados que deixa entrever o peito.


...entrevia. :whistle:

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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Quinta-Feira 7 Janeiro 2010, 23:03

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Da autoria de Tomás da Costa, este busto alegórico da República foi esculpido cerca de 1910 para participar no concurso aberto pela Câmara Municipal de Lisboa, onde, porém, foi a obra de Francisco Santos a vencedora.
A representação segue, como todas as concorrentes, o modelo iconográfico adoptado pela I República francesa, destacando-se nela o barrete frígio e o raminho de loureiro, seus habituais atributos. A figura foi dotada de grande sensualidade através do polimento da pedra mármore que realça a juventude e beleza do rosto, e do decote da blusa que revela parte do peito, porém sem a ousadia explícita do original francês.
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor zézen » Quinta-Feira 7 Janeiro 2010, 23:25

a.o.s., foi, é, e serà sempre, um F.D.P.
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Domingo 24 Janeiro 2010, 09:46

No próximo dia 29 de Janeiro, pelas 18 horas, no Auditório do Clube Literário do Porto, vai ter lugar uma conferência sobre a Revolta de 31 de Janeiro pelo Prof. Hélder Pacheco.

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[Excerto do texto de Helder Pacheco no JN de 1Fev2001] - No próximo dia 31 de Janeiro assinala-se o aniversário da revolta que um punhado de homens, comandados por: capitão Leitão, tenente Coelho e alferes Malheiro, prepararam, para dar expressão cívica ao sobressalto patriótico provocado na população pelo Ultimato inglês de 1890. Afronta que viria popularizar o movimento republicano e serviria para despoletar como "verdadeiro acto de impaciência" nacional a Revolução do Porto, preparada pelo menos a partir de Setembro de 1890 através de reuniões de sargentos e cabos, nas instalações do jornal "A República Portuguesa". No final, o defensor deixaria o juízo vindouro sobre os acontecimentos: “Por tão acumuladas razões vós haveis de ser clementíssimos para tantos infelizes. E que razão há para o não serdes? Vós julgais, mas a História vos julgará...” Com efeito, dezanove anos depois, a República vingaria, mas o tempo não apagaria o sofrimento dos obreiros da revolta. Hoje, em país conquistado pelo materialismo rasteiro e sem memória, trago à lembrança a dignidade destes homens, em cujo horizonte estava uma pátria melhor. E recordo a frase, lacónica e tão bela, do monumento que lhes foi dedicado no Prado do Repouso: ”31 de Janeiro de 1891: aos vencidos.”
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Sexta-Feira 29 Janeiro 2010, 18:34

Amanhã, pelas 18:30 horas, sob a "batuta" do encenador Norberto Barroca, sessenta actores e militares vão reconstituir na Praça da Liberdade, no Porto, a tentativa falhada de implantação da República em 31 de Janeiro de 1891, uma iniciativa do Ateneu Comercial do Porto com apoio do Governo Civil do Porto.

Eu vou estar por lá... e vou ver se consigo fazer umas fotos.
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Sábado 30 Janeiro 2010, 16:31

Dionísio Santos Silva (bisavô de Artur Santos Silva, Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República) foi um dos revoltosos do 31 de Janeiro de 1891 e sobre ele escreveu Jorge Fiel na Revista Expresso de 6 de Setembro de 2002:

Já passava da meia noite - ou seja, já era 31 de Janeiro -, quando Dionísio Santos Silva saiu da tipografia Empresa Literária de que era co-proprietário. Estivera largas horas a rever provas e, como de costume, dirigiu-se ao Suíço para cear na companhia dos amigos Sampaio Bruno e Eduardo de Sousa. O dia 30 de Janeiro de 1891 tinha sido comprido e agitado - e não iria terminar à mesa. Pela manhã tinha ido à cadeia visitar João Chagas, o director do diário «A República Portugueza», que lhe deu numerosos bilhetes e telegramas de felicitações, enviados de diferentes pontos do país, por causa da sua condenação por abuso de liberdade de imprensa e destinados a serem impressos no jornal. Dionísio tinha andado numa roda viva, em contactos conspirativos preparatórios para a revolta contra a Monarquia que se anunciava para o dia seguinte. A tipografia não era o único negócio deste homem já maduro e vivido nos seus 47 anos, proprietário da Chapelaria Portuense, de porta aberta no 61 da Rua de Santo António (actual Rua 31 de Janeiro) onde tinha à venda um sortimento completo e variadíssimo de tudo o que havia de chapelaria, das coisas mais modestas às mais chiques. No Suíço, assim que o chispe chegou à mesa, Dionísio e os amigos anteciparam a vitória da sublevação, para onde partiriam logo que a fome estivesse saciada, fazendo proclamações num tom de voz que não passou desapercebida aos restantes comensais e criadagem. Com os olhos postos no acepipe, brindaram a que fosse aquele o último chispe por eles deglutido em regime monárquico. Não quis a História que isso fosse verdade. A acção levada a cabo pelos militares foi bastante desordenada e acabou esmagada pela Guarda Municipal, que a meio da manhã disparou sobre a última bolsa de resistência dos revoltosos republicanos, concentrados na praça da D. Pedro (actual praça da Liberdade), aniquilando uma sublevação que apesar de fracassada foi um importante passo do irreversível processo revolucionário que conduziria ao 5 de Outubro. Gorada a primeira tentativa de implantação da República em Portugal, logo começaram as perseguições. A publicação de «A República Portugueza» foi suspensa, transformando este vibrante diário de combate numa das primeiras vítimas daquele dia pavoroso e ensanguentado de 31 de Janeiro de 1891. João Chagas foi deportado para África. Sampaio Bruno partiu para o exílio. Dionísio e Eduardo Sousa foram encarcerados no paquete «Moçambique» ancorado em Leixões, juntamente com os outros implicados no movimento. Levado a Conselho de Guerra, Dionísio acaba absolvido. No interrogatório, reconhece que sabia da revolta que se preparava, «como toda a gente, excepto aquela que tinha ouvidos para não ouvir», pois falava-se nela em todos os pontos de reunião - mas nega o envolvimento nas operações militares. De origem modesta, Dionísio iniciara a vida como operário chapeleiro. Em 1877 é um dos principais agitadores da greve dos chapeleiros, firmando logo ao 25 anos uma fama de revolucionário. Mercê de grande perseverança e uma vontade inquebrantável logrou triunfar na vida e estabelecer-se. Mas nunca esqueceu os mais desfavorecidos. Esteve sempre apaixonado pela política. Começou na esquerda monárquica. Foi militante influente do Partido Progressista como se comprova pelo facto de, em 1881, apenas com 27 anos, ter sido eleito presidente da Junta da Paróquia de Santo Ildefonso, onde valeu aos desfavorecidos e dedicou especial atenção à instrução popular e à assistência. Envergonhado com a cedência monárquica ao Ultimatum britânico (a Coroa aceitou desistir do Mapa Cor-de-Rosa que consistia em criar a África Meridional Portuguesa, de costa a costa, ocupando os territórios situados entre Angola e Moçambique), adere ao Partido Republicano. Num ambiente de grande efervescência patriótica, funda «A República Portugueza», jornal de que foi administrador e onde colaboraram Teófilo Braga, Latino Coelho, António José de Almeida e Basílio Teles, entre outros. O fracasso do 31 de Janeiro abala-lhe as finanças. A chapelaria abre falência. Para conseguir que as suas quatro filhas tirem o curso do Magistério Primário, é obrigado a socorrer-se do apoio de Eduardo, o filho mais velho e único varão, que quando o pai foi preso tinha apenas 11 anos e andava no 2º ano do Liceu Central do Porto. Mas nunca desistiria da militância republicana. A sua casa era frequentada por Afonso Costa, Guerra Junqueiro e Alves da Veiga, entre outros. Em 1907 funda o Centro Republicano Rodrigues de Freitas. Recompõe a vida como sócio-gerente do Teatro-Circo Águia de Ouro. Com o advento da República assume diversos cargos políticos, Até morrer, em 1920, foi administrador dos concelhos de Gaia e Santo Tirso, co-proprietário do diário republicano «O Norte». Nos idos de 80 teve uma casa de penhores, protagonizando a estreia da família num negócio (o do dinheiro) onde o seu bisneto Artur viria a triunfar, lá mais para o final do século XX.

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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Domingo 31 Janeiro 2010, 10:16

Teve lugar ontem na Praça da Liberdade no Porto (em frente ao Banco de Portugal) uma teatralização de rua em que se fez a Reconstituição Histórica da Revolta de 31 de Janeiro de 1891. Este evento foi uma produção do Ateneu Comercial do Porto, com encenação de Norberto Barroca e teve a colaboração do Teatro Experimental do Porto, Seiva Trupe, Escola de Artes Cénicas / Teatro do Bolhão, Guarda Nacional Republicana, Museu Militar e Região Militar Norte.


Brevemente serão aqui colocadas fotos do evento.
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Domingo 31 Janeiro 2010, 15:59

Foram estas as palavras de um soldado ao presidente do tribunal de guerra, no acto do julgamento (in "Manifesto dos Emigrados da Revolução do Porto de 31 de Janeiro de 1891" - Jorge de Abreu - A Revolução Portuguesa - O 31 de Janeiro - Lisboa, Edição da Casa Alfredo David, 1912):

...Eu, meu senhor, não sei o que é a República, mas não póde deixar de ser uma causa santa. Nunca na egreja senti um calafrio assim. Perdí a cabeça então, como os outros todos. Todos a perdemos. Atirámos então os barretinos ao ar. Gritámos então todos: Viva! viva, viva a República!...
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Domingo 31 Janeiro 2010, 17:26

Hoje estou de serviço ao mural "Republicanos Portugueses no Facebook"...

Na cerimónia do início oficial das Comemorações do Centenário da República, Cavaco Silva disse:

Espero que as comemorações do centenário da República sejam um factor de mobilização nacional capaz de incutir nos portugueses do século XXI o mesmo espírito dos revoltosos de 31 de Janeiro [de 1891], um espírito inconformista e de esperança;
[As celebrações que hoje começam e que se vão prolongar por todo o ano] podem ser a semente de um novo espírito de cidadania, com centenas de iniciativas que são a oportunidade ideal para revisitar os valores republicanos como o amor à pátria e a ética na vida pública;
Está em nós a capacidade de mudar, podendo ser sempre um pouco melhores sem pôr tudo em causa, aprendendo com a História;
[Um apelo à unidade dos portugueses] num momento em que tanto precisamos de estar unidos [e ao contributo de todos para] um Portugal melhor, mais fraterno e mais solidário.


José Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal, disse na cerimónia do início oficial das Comemorações do Centenário da República, hoje, no Porto:

[As comemorações do Centenário da República são como] um momento não de nostalgia, mas de celebração;
A implantação da República foi muito mais do que uma ruptura constitucional. Foi um momento profundamente reformista;
[A revolta de 31 de Janeiro] não aconteceu por acaso no Porto, [cidade que] continua a ser um grande centro de liberdade;
[Os portugueses têm que se unir] numa comunidade com projecto de futuro, [pois com a democracia, são] um povo que em liberdade escolhe o seu futuro.
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Re: Comemorações do Centenário da República

Mensagempor Tovi » Domingo 31 Janeiro 2010, 20:03

Mais no mural "Republicanos Portugueses no Facebook"...

O historiador Joel Cleto (Joel Alves Cerqueira Cleto nasceu na freguesia de Vitória, na cidade do Porto, em Fevereiro de 1965; É Mestre em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto) defende que as causas do eclodir da revolta de 31 de Janeiro de 1891 são não só a grave crise económica em toda a Europa nos finais do século XIX e a manifesta decadência da Monarquia portuguesa, mas também e principalmente o ultimato inglês contra a nossa vontade de criar em África o Mapa Cor-de-Rosa.

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O Mapa Cor-de-Rosa era um documento representativo da pretensão de Portugal de soberania sobre os territórios entre as colónias de Angola e Moçambique, nos quais hoje se situam a Zâmbia, o Zimbábue e o Malawi. Foi a disputa com a Grã-Bretanha sobre estes territórios que levou ao ultimato britânico de 1890, ao qual o governo monárquico português cedeu, criando um grande descontentamento na sociedade portuguesa.
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