Afinal, queixamo-nos de quê?

Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor Tovi » Segunda-Feira 3 Novembro 2008, 20:04

zézen Escreveu:
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Está cá a parecer-me que o «zézen» não tem ido às aulas de informática... ;)
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor XôZé » Segunda-Feira 3 Novembro 2008, 20:18

Não só não vai como nem cabulando consegue passar nos exames. :risada:

Mais logo aparece por aqui o marrão da turma e faz o teste por ele. :twisted:
Editado pela última vez por XôZé em Segunda-Feira 3 Novembro 2008, 20:22, num total de 1 vez.
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor zézen » Segunda-Feira 3 Novembro 2008, 20:20

Domingo, 2 de Novembro de 2008

O milagre


O ANO LECTIVO DE 2007/2008 ficará para sempre na história da educação em Portugal. Nunca saberemos exactamente o que se passou. Mas a verdade é que ocorreu um milagre nos resultados dos exames (do básico e do secundário) e na avaliação das escolas e dos estudantes. Centenas e centenas de escolas viram as suas médias saltar, é esse o preciso termo, de negativas e medíocres níveis para positivas e gloriosos escalões. Mais de 400 escolas que hoje exibem médias positivas em todos os exames nacionais encontravam-se há um ano na lista negra das negativas. Considerando as vinte disciplinas do secundário com mais inscritos, mais de 82 por cento das escolas têm agora médias positivas. A média nacional dos exames de matemática, negativa há um ano, é agora de mais de 12 valores! Há um ano, apenas 200 escolas conseguiam média positiva a matemática. Agora, são mais de mil! Mais de 90 por cento das escolas têm agora média positiva a matemática. Há escolas com médias a matemática de 18 valores! No conjunto das duas disciplinas, Matemática e Português, 97 por cento obtiveram média positiva! Nas oito disciplinas principais do secundário, a média positiva foi atingida por 87 por cento das escolas!
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As médias da matemática, crónico cancro do sistema, eram o quadro da desonra de uma população manifestamente incapaz de contar. Pois bem! São hoje o certificado de honra e talento de um povo para o qual as equações e as derivadas deixaram de ser mistério. É possível que muitas escolas portuguesas, para já não dizer a média de todas, se situem hoje entre as mais competentes do mundo em matemática!
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Muita gente ficou feliz. Professores gratificados, estudantes recompensados e pais descansados podem comemorar o feito. Nas universidades, esperam-se agora massas de alunos motivados e qualificados. Nos empregos, sobretudo na banca, nos seguros, nas empresas de engenharia e nos laboratórios científicos, esfregam-se as mãos na expectativa de receber, dentro de poucos anos, profissionais extraordinariamente preparados para as contas, o cálculo e o raciocínio abstracto. Nos jornais e nas televisões, onde os jornalistas confundem milhares com milhões e não sabem calcular uma percentagem ou uma taxa de variação, teremos, brevemente, dados exemplares e contas limpas. Começa uma nova era!
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O problema é que ninguém acredita! Os interessados não escondem um sorriso matreiro! Os outros, com sobrolho enrugado, desconfiam. Como foi possível? Tanto melhoramento em tão pouco tempo? De um ano para o outro? Melhores professores? Melhores alunos? Novos métodos? Programas renovados? Mais tempo de aulas? Manuais mais bem elaborados? Nova organização curricular? Professores mais empenhados e disponíveis para passar mais horas a ensinar matemática? Mais explicações privadas? Todas estas perguntas têm necessariamente resposta negativa. Nada disso era possível num ano, nem para a maioria dos alunos e das famílias. Quem desconfia tem razão. E só encontra três explicações: os exames foram incompreensivelmente fáceis; as regras de avaliação foram extraordinariamente benevolentes; ou houve ingerência administrativa para corrigir as notas. O ministério e o governo não escapam a estas hipóteses e, se estivessem realmente interessados em conhecer o que se passa na escola, teriam impedido este bodo, não se teriam mostrado beatamente satisfeitos e teriam já procurado saber as razões do milagre. A não ser, evidentemente, que o tenham preparado e encenado.
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Se, até há dias, era indispensável estudar as causas e as consequências dos maus resultados em matemática (assim como do português, da física e da química), agora passa a ser urgente estudar as causas e as consequências deste milagre. Teria sido essa, aliás, a atitude honesta de um ministério e de um governo preocupados com a educação dos cidadãos. Se ambos são estranhos a esta hipertrofia de resultados, se nenhum teve qualquer influência no processo de avaliação e se ambos estão de boa-fé, então teríamos uma decisão oficial que, de imediato, se propusesse saber as razões e os fundamentos de tal facto. Ninguém duvida de que educar mal é tão pernicioso quanto não educar. Em certo sentido, é pior. Preparar profissionais, técnicos, cientistas e professores num clima de complacência e facilidade pode ter resultados desastrosos. As expectativas criadas não são satisfeitas. As capacidades presumidas são falseadas. O desperdício social e económico é enorme. E é criada uma situação fictícia onde fazer de conta se transforma em virtude. Para tranquilidade dos contemporâneos e para desgraça das gerações futuras.
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A publicação de todos os resultados nacionais, seguida da elaboração dos rankings respectivos, transformou-se num hábito, em breve será uma tradição. Ainda hoje há erros de avaliação, de apuramento e de classificação, além de que alguns tentam distorcer os resultados para dramatizar o panorama. Com o tempo, as coisas vão melhorando. Mas, depois de resistências de toda a ordem, a começar pelas de ministros, funcionários e professores, o gesto anual faz parte do calendário educativo. Tem tido consequências positivas. Há escolas, autarquias, professores e pais realmente preocupados com a percepção que todos temos deles. Querem melhorar e querem que se saiba. Não desejam ser conhecidos como as ovelhas ranhosas. Mas o efeito mais perverso foi inesperado. Tudo leva a crer que este milagre é um resultado colateral da abertura de informação. Se os resultados continuassem secretos, talvez os governantes não se tivessem ocupado do assunto. O próximo mistério é este: como conseguirão o governo e o ministério convencer a comunidade internacional (já que, pelos vistos, a nacional não lhes interessa) da justeza e da bondade destes resultados?
...

http://o-jacaranda.blogspot.com/2008/11/o-milagre.html
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor Arp » Terça-Feira 4 Novembro 2008, 01:04

XôZé Escreveu:Mais logo aparece por aqui o marrão da turma e faz o teste por ele. :twisted:


É, também, para ajudar os amigos naquilo em que somos um pouco mais capazes, que cá estamos, ou deveríamos estar, mas tudo bem.

Agora, ZZ (zzzzzzzzzzzzzz :evil: ), tentar passar as imagens directamente do gmail para aqui, é coisa que ainda não sei fazer e não sei se alguém sabe.

O que te vale (e a outros :whistle: ) é que eu tenho alguns recursos extra...


(http://forum.priston.com.br/showthread. ... 142&page=1)

Veja esse caso de sequestro na China. Por causa de um recado num famoso site de relacionamentos chinês, um homem invade um apartamento em um bairro pobre de Pequim, e faz 2 jovens como reféns. Poucos minutos depois a polícia chega, junto com a imprensa.

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Ele faz 3 exigências, os policiais pedem calma.

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O negociador se aproxima.

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O negociador se posiciona para falar com o seqüestrador.

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Começa a negociação.

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Exigências do seqüestrador atendidas, fim de negociação.

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Apesar da violência, em menos de 30 minutos a polícia chinesa liberta os reféns, que não sofreram nenhuma agressão física. Se os policiais não tivessem feito nada, o homem teria mantido os reféns por quase 1 semana. A imprensa inundaria os telejornais de informações sensacionalistas. Talvez o seqüestrador até teria dado uma entrevista para uma certa apresentadora escrota e sem noção, em algum programa de baixo nível qualquer. Possivelmente as vítimas acabariam feridas ou mortas pelo bandido, que pegaria alguns anos de prisão, mas sairia em condicional após cumprir 1 sexto da pena, por ser réu primário.

Nota à margem: gostei mais do texto do teu brasileiro do que do meu, embora seja bom lembrar que normalmente, nos países em que um sequestro se resolve com esta facilidade, também é este o método utilizado para resolver manifestações estudantis, passeatas de sindicatos e outras reclamações similares.
Nestas coisas não há meios termos e temos de decidir quais os termos que mais nos agradam.
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor zézen » Terça-Feira 4 Novembro 2008, 08:22

Arp Escreveu:...É, também, para ajudar os amigos naquilo em que somos um pouco mais capazes, que cá estamos, ou deveríamos estar, mas tudo bem.

[color=#FF0000]Não percas tempo a falar do que não conhecem.
:mrgreen:

Agora, ZZ (zzzzzzzzzzzzzz :evil: ), tentar passar as imagens directamente do gmail para aqui, é coisa que ainda não sei fazer e não sei se alguém sabe.

Meu caríssimo e ilustríssimo Arp, explica lá muito devagarinho, porque é que eu vejo as imagens no computador em que fiz copy-paste e vocês não vêem.

Para informação, no pc do emprego tenho o mesmo problema que vocês.

O que te vale (e a outros :whistle: ) é que eu tenho alguns recursos extra...[/color]


Obrigado pelo teu trabalho.
Um Abraço.
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor XôZé » Terça-Feira 4 Novembro 2008, 12:15

O filme chinês que aqui nos presentearam, será a versão de janela do recente êxito de bilheteira português: "À porta do BES". :P
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor zézen » Domingo 14 Dezembro 2008, 23:16

Enviado por um Amigo.

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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor Max » Domingo 14 Dezembro 2008, 23:44

fantástico!

Numa era em que muitas meninas nem um ovo sabem estrelar, essa heroína parte ovos e borda com os pés!
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor zézen » Segunda-Feira 15 Dezembro 2008, 13:27

Não sabem estrelar um ovo porque não lhes dàs na corneta :whistle:
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Re: Afinal, queixamo-nos de quê?

Mensagempor olhos de amêndoa » Quinta-Feira 1 Janeiro 2009, 19:09

Extraordinário vídeo e extraordinária história de vida. Então não é que a senhora faz tudo sendo totalmente independente ? é uma mulher fantástica.
O mais feliz dos felizes, é aquele que faz os outros felizes !
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